Má influência
Quando dei pinga ao telefone, ele embolou a fala dos amantes até terminarem o namoro.
Quando dei pinga à xícara, ela tentou voar com sua única asa e terminou em caquinhos.
Quando dei pinga ao sol, ele adormeceu sobre uma nuvem atrapalhando a passagem da noite.
Quando dei pinga ao dado, ele cambaleou incerto sobre que número oferecer.
Quando dei pinga ao jornalista, ele escreveu um poema sobre a alta dos juros.
Quando dei pinga ao texto, suas letras ficaram em itálico.
Quando dei pinga à bailarina clássica, todos assistiram uma apresentação contemporânea.
Quando dei pinga ao maestro, a orquestra afrouxou o smoking e tocou um samba.
Quando dei pinga ao camaleão, ele trajou um arco-íris.
Quando dei pinga ao pente, ele sorriu seus dentes.
Quando dei pinga à estrada, ela insinuou-se para todos.
Quando dei pinga à pilha, em meia hora ela gastou sua energia.
Quando dei pinga ao cabide, ele despiu-se da blusa para realçar o balançar de seus ombros.
Quando dei pinga ao guarda-chuva, ele perdeu até os pingos mais gordos.
Quando dei pinga ao criado mudo, ele desinibiu-se puxando muita conversa.
Quando dei pinga ao mineiro, a cachaça sentiu-se uma verdadeira água mineral.
Foto: Cláudia Lima


