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	<title>Cambalhotas de irrealidades</title>
	<link>http://www.cambalhotas.org/blog</link>
	<description>Palavras tortas, idéias sem cabimento e estranhezas camaradas.</description>
	<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 14:38:34 +0000</pubDate>
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		<title>O Caracol de Cachecol</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 14:54:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Imaginações amigas]]></category>

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Você deve lembrar da grande nevasca de 1978, quando as ruas de Belo Horizonte ficaram cobertas de neve, as pessoas cobertas de roupas e os sorvetes cobertos de calda quente. Pois foi nessa época que Anacleto, já um tanto entediado, resolveu dar de ombros - mesmo os que não tinha – e [...]]]></description>
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<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.JPG" title="caracolcachecol"></a></p>
<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.JPG" title="caracolcachecol"></a></p>
<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.JPG" title="caracolcachecol"></a></p>
<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.JPG" title="caracolcachecol"></a></p>
<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.JPG" title="caracolcachecol"></p>
<p><img src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/06/caracol-de-cachecol.thumbnail.JPG" alt="caracolcachecol" height="117" width="157" /></p>
<p></a></p>
<p>Você deve lembrar da grande nevasca de 1978, quando as ruas de Belo Horizonte ficaram cobertas de neve, as pessoas cobertas de roupas e os sorvetes cobertos de calda quente. Pois foi nessa época que Anacleto, já um tanto entediado, resolveu dar de ombros - mesmo os que não tinha – e sair de casa mesmo naquele frio.</p>
<p>Primeiro avançou as anteninhas para fora, como quem coloca a pontinha dos pés na água do chuveiro para ver se já está na temperatura ideal para se banhar: “Caramba, cai chuva congelada!”, pensou Anacleto recolhendo apressado as antenas para dentro de casa.</p>
<p>Certo de que seria impossível ganhar a rua desprotegido, colocou-se a matutar uma forma de passear sem morrer de frio. Construir uma marquise? Não, o preço do concreto estava nas alturas. Instalar ar condicionado na cidade? Imagine a conta de luz? Passar as nuvens com ferro para derreter o gelo? Não conseguiria uma escada tão alta.</p>
<p>Quando Anacleto já estava próximo de comprar um lança-chamas, lembrou-se de tia Berenice, uma habilidosa aranha, estilista de grandes marcas em Paris. Mandou-lhe um e-mail explicando a angustia de viver dentro de casa por conta do frio. Terminou a mensagem afirmando: “Careço caminhar como cometas. Com carinho, Cleto”. É um poeta, pensara sua tia.</p>
<p>Uma semana depois, o correio bate em sua porta: “Encomenda da senhora Berenice Saint Laurent para o senhor Anacleto Perete”. Ele ficou extasiado. Ao abrir o pacote repleto de selos franceses, viu seu problema solucionado com o presente de sua tia: um gordo cobertor de listas amarelas, rosas e vermelhas! Como não atinou para uma solução tão simples?</p>
<p align="left">  No mesmo dia, protegido da nevasca, Anacleto saiu de casa enrolado em seu novo cobertor. A felicidade era tamanha que ele caminhava de olhos fechados, um sorriso no rosto e a imaginação solta, fantasiando a vida: “Como é colorido meu cachecol”. Sim, Anacleto era um poeta.</p>
<p align="left"><em>Ilustração: Melissa</em></p>
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		<title>Adelmenito</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=27</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 04:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Freire</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bulinações de Jequié]]></category>

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		<description><![CDATA[
Adelmenito sabe quando não sabe das coisas. E se você permitir pensar bem sobre, vai ver formosura nisso. Cresceu assim, de menino que vai ser para jovem olha como tá sendo. O futuro ainda não tinha alinhado, porque o futuro que a gente espera não dá carona. Futuro não é trêm que se espere, dizia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/03/fototiagocearacaminho.jpg" title="Tiago"><img src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/03/fototiagocearacaminho.thumbnail.jpg" alt="Foto de Tiago Lima" /></a><br />
<blockquote class="webkit-indent-blockquote" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 40px; border-width: initial; border-color: initial; border-style: none; padding: 0px">Adelmenito sabe quando não sabe das coisas. E se você permitir pensar bem sobre, vai ver formosura nisso. Cresceu assim, de menino que vai ser para jovem olha como tá sendo. O futuro ainda não tinha alinhado, porque o futuro que a gente espera não dá carona. Futuro não é trêm que se espere, dizia o povo de Jabaquara. Antes as coisas sabidas do povo de Jabaquara ou Amargosa eram sempre dadas de abobinhagem. Até que Adelmenito chegou na cidade trazendo de inteligência as prosas das outras cidades. Não que ele tivesse nascido por aí, mas ele era bom de ouvir. Quem sabe quando não sabe costuma ser bom ouvidor. Era assim, aprumando as pensatas nos bolsos, que ele chegou na hospedagem de quem é de faculdade. Esse povo da faculdade é sempre vindo de outros cantos. Até acharam bom quando subiu a tijolada, mas hoje já ouve-se o lamurinho de pé-de-praça: pra quê se as sabedorias não ficam na cidade? Vem de fora, fica um tempinho, e vai-se embora assim que pega o papelete. Numa dessas lamurinhêras, um tonto deu grandeza para uma tolice contra a faculdade. Foi um rebuliço. O tonto colocou sangue nos olhos daquele povo, arrepiado das entranhas, fizeram chame-chame, sanguizêra, bacurinhação e pedregulhada. Pela desgraça dos azares, a falta de sorte tropeçou Adelmenito, justo o do não-saber. Se eu tivesse só dois olhos, falaria o que tinha acontecido. Mas como vem outras coisas no corpo da gente, bagunçando o coreto das sensações, não sei para onde foi. Tinha aquele cheiro de dor com sangue esmagado. Aquela dor que não é justa, que não tem pertencimento, que nasce sempre de alguma desgraça órfã, pedindo esmola nas ladeiras do peito. Tinha tudo pra ser, falou um remelento arrependido. Fazer uma multidão endoidar demora pouco - vai tudo de uma só vez. Agora desendoidar apega-se mais tempo: vai assim, um em um, na preguiça da razão.Esse negócio me agonia até hoje, mas de tanto, que eu chego até achar o nome de Adelmenito bonito. Com a cabeça eu sei que é uma tristeza de nome. Mas trás uma danada de uma memória bonita que não tem como batizar outra beleza. Já nos finalmente, respirando com a dificuldade que presentearam, cheguei junto só pra conseguir um suspiro dele pra guardar comigo. Nem sabia o que dizer. Ele percebeu e se reconheceu de mim, achando formosura meu não saber. Tem coisa que nasce pra gente não saber, lembro dele dizendo. Depois de umas olhadas perdidas, uma coisa de dizer encontrou minha boca, quase nem passou pela cabeça. Não sei porquê mas perguntei se ele estava com raiva. Com raiva daquele povo. Do tonto. Da cidade. Da maluquice quando ganha muita gente. Nunca vi Adelmenito de raiva. Queria saber dele agora.A dificuldade de respirar subiu pra fala, mas ainda assim ele me disse assim. Até poderia sentir raiva. Mas se é pra ser o último gosto que carrego, quero não. Prefiro lembrar de outras coisas pra botar na mala dos sentimentos.Adelmenito vai continuar sendo, mesmo depois de morto. Mais uma coisa que ele não vai saber.</p></blockquote>
<blockquote class="webkit-indent-blockquote" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 40px; border-width: initial; border-color: initial; border-style: none; padding: 0px"></blockquote>
<blockquote class="webkit-indent-blockquote" style="text-align: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 40px; border-width: initial; border-color: initial; border-style: none; padding: 0px"><p>Foto: Tiago Lima</p></blockquote>
<p><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2009/03/fototiagocearacaminho.jpg" title="Tiago"></a></p>
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		<title>Má influência</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=23</link>
		<comments>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=23#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 00:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Imaginações amigas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quando dei pinga ao telefone, ele embolou a fala dos amantes até terminarem o namoro.
Quando dei pinga à xícara, ela tentou voar com sua única asa e terminou em caquinhos.
Quando dei pinga ao sol, ele adormeceu sobre uma nuvem atrapalhando a passagem da noite.
Quando dei pinga ao dado, ele cambaleou incerto sobre que número oferecer.
Quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2008/06/foto-claudia-menor.JPG" title="foto-claudia-menor.JPG"><img width="365" src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2008/06/foto-claudia-menor.JPG" alt="foto-claudia-menor.JPG" height="193" /></a></p>
<p>Quando dei pinga ao telefone, ele embolou a fala dos amantes até terminarem o namoro.</p>
<p>Quando dei pinga à xícara, ela tentou voar com sua única asa e terminou em caquinhos.</p>
<p>Quando dei pinga ao sol, ele adormeceu sobre uma nuvem atrapalhando a passagem da noite.</p>
<p>Quando dei pinga ao dado, ele cambaleou incerto sobre que número oferecer.</p>
<p>Quando dei pinga ao jornalista, ele escreveu um poema sobre a alta dos juros.</p>
<p>Quando dei pinga ao texto, <em>suas letras ficaram em itálico</em>.</p>
<p>Quando dei pinga à bailarina clássica, todos assistiram uma apresentação contemporânea.</p>
<p>Quando dei pinga ao maestro, a orquestra afrouxou o smoking e tocou um samba.</p>
<p>Quando dei pinga ao camaleão, ele trajou um arco-íris.</p>
<p>Quando dei pinga ao pente, ele sorriu seus dentes.</p>
<p>Quando dei pinga à estrada, ela insinuou-se para todos.</p>
<p>Quando dei pinga à pilha, em meia hora ela gastou sua energia.</p>
<p>Quando dei pinga ao cabide, ele despiu-se da blusa para realçar o balançar de seus ombros.</p>
<p>Quando dei pinga ao guarda-chuva, ele perdeu até os pingos mais gordos.</p>
<p>Quando dei pinga ao criado mudo, ele desinibiu-se puxando muita conversa.</p>
<p>Quando dei pinga ao mineiro, a cachaça sentiu-se uma verdadeira água mineral.</p>
<p><em>Foto: Cláudia Lima</em></p>
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		<title>Além de Mutum</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=22</link>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2007 02:55:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Freire</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Quando o dia dorme em meus olhos]]></category>

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		<description><![CDATA[Toda vez que demoro de vir pra casa, me dá uma sede na garganta, que nenhuma água resolve. E quando chego, nem lembro de ir na cozinha, vou me embebedar de estar quieto. Minha casa é estar quieto. Por isso que nesses tempos de vai-e-volta, corre daqui-de-lá, de trabalho de dia, e de aprender trabalhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toda vez que demoro de vir pra casa, me dá uma sede na garganta, que nenhuma água resolve. E quando chego, nem lembro de ir na cozinha, vou me embebedar de estar quieto. Minha casa é estar quieto. Por isso que nesses tempos de vai-e-volta, corre daqui-de-lá, de trabalho de dia, e de aprender trabalhos de noite, muitas vezes não alcanço o tempo de vir pra casa: de aquietar. Eu já não fui sozinho, gosto de lembrar, mas não vou mentir dizer que tenho saudade. Também, preciso ter mais sabedoria, porque logo depois que aprendi saudade, queria usar ela em tudo. Vivia dizendo &#8220;ai que saudade de saber das coisas&#8221;, e pensavam que eu tinha abestado as idéias. Quando aprendo uma coisa bonita nova, eu guardo para ir me abonitando dela devagar, depois de um tempo que começo a calçá-la. Minha família é a vontade que tenho de voltar pra ver mainha. Essa vontade tem irmãos, vivos e um morto. Um irmão morto é sempre o mais velho: chegou antes. E é assim, vontade, mas que fica mansa aqui. Porque o dia corre e ainda tem mais coisas pra aprender antes de amanhã. Se eu deixo juntando, morro burro. Essas coisas todas dão cansêra, mas não vou mentir dizer que estou cansado. Nessa minha morada de quietude, aproveito para ir colocando umas palavras. Quando escrevo, o corpo descansa, e deixa a cabeça cansar. Sempre gosto mais das palavras que dá pra gente escrever quieto. Quando vou no mundo é tanta coisa, que nem lembro. Por isso, em casa, prefiro escrever dessas coisas que não preciso lembrar. Mesmo que depois eu nem encontre serventia. Agora deixa eu ir que o moço do lado não gostou muito da minha casa. Ficar quieto as vezes chateia quem tá fora.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A criação</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=21</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Oct 2007 20:13:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Imaginações amigas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Então, em um dia qualquer no Reino dos Céus, um anjo abriu a porta errada para que Deus passasse e Ele, todo poderoso, acabou dando de cara com Pedrinho, 8 anos, que cutucava distraidamente uma pedra no quintal de casa.
- Quem é você? – perguntou Pedrinho, claro, pois Deus tudo sabe e não precisa fazer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2007/10/passarinhos.jpg" title="passarinhos"><img width="454" src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2007/10/passarinhos.jpg" alt="passarinhos" height="119" /></a></p>
<p>Então, em um dia qualquer no Reino dos Céus, um anjo abriu a porta errada para que Deus passasse e Ele, todo poderoso, acabou dando de cara com Pedrinho, 8 anos, que cutucava distraidamente uma pedra no quintal de casa.</p>
<p>- Quem é você? – perguntou Pedrinho, claro, pois Deus tudo sabe e não precisa fazer questionamentos.<br />
- Eu sou Deus – respondeu sem tirar o olho do celular, que discava para que alguém viesse buscá-lo.<br />
- Ah! Tipo Papai Noel?<br />
- Ãn? Ah, é! Isso, tipo o Papai Noel – não estava nos melhores dias para explicar a grandeza do universo.<br />
- Então me dá um bodoque?<br />
- Não.<br />
- Por que não?<br />
- Porque você vai arremessar pedra nos passarinhos e eu não criei os passarinhos para serem apedrejados.<br />
- Eu não atiro nos passarinhos, prometo – fazendo cruzinhas com os dedos sobre a boca. Me dá um bodoque?<br />
- Não. Você vai atacar os gatos e eu não criei os gatos para serem atacados.<br />
- Também não acerto eles. Me dá?<br />
- Na na ni na não. Você vai quebrar as lâmpadas e eu não criei os Homens para criar lâmpadas para serem estilhaçadas.<br />
- Deus?<br />
- Un?<br />
- Pra quê que então você criou o bodoque?</p>
<p>E Deus sumiu entre fumaças. Alguém atendeu sua ligação.</p>
<p>Foto: <a href="http://flickr.com/photos/ingridklinkby/">Ingrid Klinkby</a> </p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>&#8230;essas coisas&#8230; qualquer coisa&#8230;</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=19</link>
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		<pubDate>Wed, 19 Sep 2007 20:55:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Se cantar vira música]]></category>

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		<description><![CDATA[E se eu contar que o céu é um mar que chove
E que o mar é o céu em que pássaro nenhum se move
E se eu contar que seu sorriso é o espelho do meu coração
E que o coração é um baú inatingível pela mão
E se eu contar que a soma das estrelas resulta um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E se eu contar que o céu é um mar que chove<br />
E que o mar é o céu em que pássaro nenhum se move<br />
E se eu contar que seu sorriso é o espelho do meu coração<br />
E que o coração é um baú inatingível pela mão<br />
E se eu contar que a soma das estrelas resulta um número redondo e exato<br />
E que a exatidão são todos os retratos possíveis de um mesmo fato<br />
E se eu contar que a saudade é uma lembrança que sempre acontece<br />
E que a lembrança veste girassóis quando anoitece<br />
E se eu cortar a regra do poema antes dele morrer<br />
E a morte é um juiz que termina com a vida antes de algum time vencer</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O lugar de cada um</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=16</link>
		<comments>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=16#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 Sep 2007 02:16:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Se cantar vira música]]></category>

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		<description><![CDATA[
A alegria é um carro de fórmula 1 encontrando a reta
A felicidade um fusquinha com quatro amigos indo lento pro bar
A melancolia é uma pena descendo calma até o chão
A tristeza uma bigorna despencando no concreto
A alegria solta fogos de artifício
A felicidade derrama lágrimas
Melancolia é a saudade
Tristeza é a morte
A alegria é uma música do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><img src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2007/09/o-lugar-de-cada-um-por-ingrid.jpg" alt="O lugar de cada um" /></p>
<p align="left">A alegria é um carro de fórmula 1 encontrando a reta<br />
A felicidade um fusquinha com quatro amigos indo lento pro bar</p>
<p>A melancolia é uma pena descendo calma até o chão<br />
A tristeza uma bigorna despencando no concreto</p>
<p>A alegria solta fogos de artifício<br />
A felicidade derrama lágrimas</p>
<p>Melancolia é a saudade<br />
Tristeza é a morte</p>
<p>A alegria é uma música do Chemical Brothers<br />
Felicidade é uma canção do Tom Jobim</p>
<p>A melancolia prefere o domingo<br />
A tristeza segunda-feira</p>
<p>Alegria é mergulhar em uma piscina<br />
Felicidade é mergulhar no mar</p>
<p>Melancolia é um dia nublado<br />
Tristeza é um sábado nublado</p>
<p>Alegria é uma boa trepada<br />
Felicidade uma boa trepada sucedida de cafunés</p>
<p>Melancolia veste roupas pretas<br />
A tristeza está sempre com frio</p>
<p>A alegria sai pra comprar pão<br />
A felicidade pães de queijo</p>
<p>Melancolia é quando dói o coração<br />
Tristeza é quando o coração deixa de existir</p>
<p>Alegria é uma partida de futebol<br />
Felicidade é uma partida do Atlético</p>
<p>Melancolia é o chiclete perdendo o açúcar<br />
Tristeza é o amor perdendo a afeto</p>
<p>A alegria é festa com amigos<br />
Felicidade a conversa com um amigo</p>
<p>Melancolia colore portões<br />
A tristeza muros</p>
<p>A alegria entra pelos ouvidos<br />
A felicidade pelos olhos</p>
<p>A melancolia espera uma resposta que nunca chega<br />
A tristeza recebe um não</p>
<p>Alegria, melancolia, felicidade, tristeza vestem fantasia<br />
e se rimam é só pra terminar a poesia.</p>
<p align="right"><em>Imagem: <a href="http://www.flickr.com/photos/ingridklinkby">Ingrid Klinkby</a></em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>sobrevoantes</title>
		<link>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=13</link>
		<comments>http://www.cambalhotas.org/blog/?p=13#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 31 Aug 2007 08:05:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Freire</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Bulinações de Jequié]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.cambalhotas.org/blog/?p=13</guid>
		<description><![CDATA[
- Por quê a maior altura que conheço não coube em nenhum homem?
- É que há um limite. Passado este, não se enxerga mais homem.
Os passos caídos, há sempre quem segure os dentes para não escapar as palavras. Ele tinha segurado as palavras para não fugir os pés. Observo os meus. Tenho mais medo deles [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2007/08/sandalia_vania.jpg" title="Vânia Medeiros" alt="Vânia Medeiros" align="bottom" /></p>
<p>- Por quê a maior altura que conheço não coube em nenhum homem?<br />
- É que há um limite. Passado este, não se enxerga mais homem.</p>
<p>Os passos caídos, há sempre quem segure os dentes para não escapar as palavras. Ele tinha segurado as palavras para não fugir os pés. Observo os meus. Tenho mais medo deles - meus pés - que de qualquer caminho.</p>
<p>- Vejo alturas mas não enxergo mais homens. É uma doença?<br />
- Não. Se isso não te matasse tanto, diria até que é remédio. É que seu olhar ultrapassou a miúdeza dos homens. Tente se distrair com os pássaros enquanto sobrevivemos.</p>
<p>Não tenho tido mais pressa nesses tempos pois comprei uma bota nova. Segredo de alpercata, repassado pelo velho Gavião. Enquanto a botina é nova, teu piso é de cuidado, há estima pelo dinheiro investido, é por consequência um andar mais atento. Também não fui de acreditar em bobices. É que no andar mais atento, acontece mais coisas pelo caminho. Assim, há agora esse disse-não-disse com a velharia da igreja. Continuo sem entender as rezas estarem sempre miradas para o céu, quando, é no chão que se pode ler a antologia do mundo. Há um terreno do entendimento díficil de pisar sem aterrar - ainda mais eu que agora tenho minhas preocupações de botina nova. Observo o umbigo dos guris. Uns maltratos, vida de coisa díficil, dou graça que sobrevivi no limbo da meninice e a barba de bigode. A infância é tão traumatizante que veja só o que gera: adultos.</p>
<p align="right">Colagem de <a href="http://www.vaniamedeiros.com" target="_blank"><strong>Vânia Medeiros</strong></a>.</p>
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		<title>Quando voltamos, voamos.</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Aug 2007 23:43:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vitor Freire</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Quando o dia dorme em meus olhos]]></category>

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- Você prefere ter nome bonito ou saber voar?
Nome é uma pele de palavra que veste nosso corpo de existir. Voar é brincar de pega-pega com o chão, o céu e o vento. Você é aí fora de mim, dentro dos meus olhos. Prefere é um menino educado. Ter é poder guardar, mas com cuidado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.cambalhotas.org/blog/wp-content/uploads/2007/08/foto_jvholleben.jpg" alt="Foto de jan von holleben" /></p>
<p>- Você prefere ter nome bonito ou saber voar?<br />
Nome é uma pele de palavra que veste nosso corpo de existir. Voar é brincar de pega-pega com o chão, o céu e o vento. Você é aí fora de mim, dentro dos meus olhos. Prefere é um menino educado. Ter é poder guardar, mas com cuidado pra não perder. Saber é voar com palavras. Bonito é o nome que minha mãe me chama.<br />
|<br />
Ninguém pula olhando pra trás. Se olhar, deixa de ser pulo e vira queda. Estavam todos sentados com as mãos sujas, reconhecendo cores e texturas. Os pés estavam calçados, presos, lamentamos um com o outro. O pai podia aceitar um filho vesgo, burro ou maricas, mas ninguém podia sair de casa descalço. A mãe diz que foram anos de pé ferido, e aí criou uma ferida no coração do pai. Pelo que entendi, não tem como passar merthiolate. Pra compensar os pés, nossos joelhos viviam ralados. O mais-novo além de sujeira conseguiu um machucado na mão. Já tínhamos combinado que sangue não valia. O mais-novo nasceu para ser teimoso, porque ninguém tinha prestado atenção em ocupar esse lugar. Na casa todo mundo precisa de uma serventia, mesmo que não preste pra nada. O do-meio é engraçado. O pai acha engraçado. Eu não sei. Eu sou o mais-velho, o que não sabe. Fiquei bom em não saber. Além de não saber pra mim, sei espalhar meu não saber nos outros. O mais-novo chega feliz contando do que aprendeu novo, e depois de conversar comigo, percebe que não sabe. A serventia da mãe era ser mãe. Desistimos de ficar sentados com as mãos sujas. O do-meio saiu correndo e o seguimos. No nosso bairro, trocam crianças por caixotes. Caixotes não choram, nem fazem xixi na cama, e dá pra guardar coisas dentro. No nosso bairro, os homens ganham dinheiros colocando coisas dentro do caixote. Menos meu pai, que ganha dinheiros do governo, porque meu pai tem feridas no coração. Essa é a serventia dele. Cada vez tem menos crianças para brincar, e mais caixotes espalhados no bairro. Nós resolvemos brincar com os caixotes – e chamamos cada um pelo nome do que foi. O mais-novo, sempre teimoso, diz que correr já era sem graça, e que agora a gente tinha é que voar.  Mas voar pra quê? Dessa vez eu não consegui melar ele com meu não saber. Ele insistiu. E me mostrou que tinha asas escondidas nos cabelos. E partimos. Nunca mais voltamos. Voar foi o jeito que encontrei para não saber.</p>
<p align="right"><em>Dedicado a Daniela, madrinha do novo cambalhotas.</em></p>
<p><strong>Foto: <a href="http://www.janvonholleben.com/dreams_of_flying" title="Dreams of flying" target="_blank">jan von holleben</a> </strong></p>
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		<title>Pai dos dias</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Aug 2007 22:57:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alisson Villa</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Dicionário Lúdico Brasileiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Pai - 1. Indivíduo que alicia crianças a torcer pelo seu time do coração; 2. Marca de tintas brancas para o cabelo; 3. O mesmo que pudim de chocolate; 4. Espaço do ombro reservado para nos carregar em momentos difíceis (Ex.: &#8220;Olhou para o lado e não teve dúvidas: subiu no pai e, ao avistar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pai</strong> - 1. Indivíduo que alicia crianças a torcer pelo seu time do coração; 2. Marca de tintas brancas para o cabelo; 3. O mesmo que pudim de chocolate; 4. Espaço do ombro reservado para nos carregar em momentos difíceis (Ex.: &#8220;Olhou para o lado e não teve dúvidas: subiu no pai e, ao avistar o outro lado do muro, os olhos viraram cachoeira&#8230;&#8221;).</p>
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