Sobre o Cambalhotas

Por que você quer saber sobre cambalhotas irreais? Elas não existem, assim como rinocerontes com asas, ventos coloridos ou rodapés falantes. Por isso, dê já meia volta em seu navegador de internet e vá ler sobre a bolsa de valores ou as bombas no oriente médio… vamos, vamos…
…un, você ainda está aí. Então acredita mesmo em rodapés falantes? Desses mesmo que tempos atrás espalhou um boato de que Vítor Freire e Alisson Villa juntaram suas incertezas para criar um site em que palavras não podem ter algemas nos pés e correntes nas mãos. Ou seriam óculos na boca e cigarro no olho? Ou ainda amor no precipício e pára-quedas no coração?
Aconteceu há três anos atrás, como parte integrante do portal cultural e coletivo artístico cabeza marginal – uma audácia sem cabimento que juntou gente de muitos lugares deste país. Nesse período, muita coisa aconteceu: conhecemos muitas pessoas estranhas, tortas e circenses, colecionamos sorrisos, abraços, pontapés, fomos cúmplices de amores, testemunhas de ciúmes, citação naqueles e-mails chatos que os amigos malas enviam – e aí de você falar pra ele que aquilo é SPAM, muitas idas e vindas, pulos e piruetas, nossa auto-estima cambaleante já esteve embriagada, retumbante, depressiva, nosso ego já ficou menor que o umbigo do Vitor e do tamanho da barriga do Alisson. Até que o Cabeza faleceu e o Cambalhotas ficou guardado em um sótão ensolarado.
Rodapés falam, falam, falam… estão próximos das paredes, paredes têm ouvidos e o novo boato se espalhou: o Cambalhotas de Irrealidades está de volta em 2007. Mas por que mariolas esses dois voltariam com um mesmo projeto? Para que carregariam esse peso de rinoceronte nas costas? A não ser que proponham novas formas de escrita. A não ser que realmente gostem de embaralhar palavras juntos. A não ser que coloquem asas no rinoceronte.
Sim, voltamos. E agora, trouxemos apenas a roupa do corpo. Talvez por acreditar nessas histórias fantásticas, você esteja aqui. Tenha clicado nesse famigerado “Sobre o Cambalhotas” e esperava ler uma explicação mais digna. Quem sabe dar de cara com uns gráficos? Saber entre quantos goles de cachaça um texto se abracadabra sobre o papel? Em qual hora do dia Vítor colhe os melhores adjetivos ou onde Alisson adormece suas metáforas? Nada disso.
O Cambalhotas é onde depositamos o nosso desejo de uma vida menos ordinária. Está na contra-mão de todas as coisas sérias, sisudas, convencionais, chatas, sem graça, com adoçante, sem pimenta. Aqui, toda a nossa grandiosa luta e resistência para deixar o chão arejado para nossas palavras dançarem, nessa coreografia espontânea, no ritmo lúdico da vida.
Obrigado por investir seu tempo conosco. Saravá!
Vitor Freire e Alisson Villa
Ilustração/Colagem: Vânia Medeiros


